As Últimas Luzes de Dezembro

Posted: sábado, 11 de dezembro de 2010 by Bruno Ricardo in
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É aqui no meu peito que mora a tristeza imaculada, a dor crônica imotivada, embora haja necessidade de interpretar a razão deste sofrer que não vai embora, cercando as minhas horas, a espreita de uma brecha, ferida aberta na alma do poeta.  Essa noite, de repente, ela volta, senta-se ao meu lado na ausência a cultuar o tolerável mesclar de sentimentos ainda vagos, indistintos em seus disfarces, porém tão reais quanto a realidade mais dolorosa.

Queria agora a estrada dura, o negrume do asfalto sob as rodas da motocicleta, enquanto o coração, a sangrar, segue decorando de rubro a camisa apertada que me envolve. A estrada, a me levar para longe, onde brotam os sonhos e as esperanças humanas são sintetizadas num belo jardim onde Deus plantara rosas brancas. A estrada triste que na há, inerte e imaginária escapatória para esse sufocante aperto ininteligível de meu ser.

Noite, doce companheira dos degredados insones. Luzeiros de trovões ecoam no teu céu em ligeiras e intermitentes auroras. Mas quando eu perceber, já estará chovendo lá fora, gotas preciosas apaziguando a febre dos dias sertanejos. Antes disso é mais frio dentro de mim, é extremamente insuportável prosseguir. Quem dera fosse a mascara taciturna que me assusta na passagem por essas veredas mas, infelizmente, é algo pior. 

Estou perdido nas trevas solitárias deste cárcere. Milhares de lágrimas, natimortas, jazem nos meus olhos antes do grito mudo. Ardem as minhas vistas. Sinto-me mais sozinho agora e a sensibilidade de meus dedos se vai, esvaindo simultaneamente em mim o direito humano de existir. Além dessa angústia eu me encontro, cego pelas verdades que minha tristeza, insensata tristeza, me permite distinguir. Atado às minhas costas repousa o peso de um mundo inteiro, o lar de plantas mortas e fantasmas de pessoas cruéis. Por sua vez, sob o julgo de correntes apertadas, desgastado metal a cortar os pulsos tão machucados, meus braços repousam ao lado do corpo, quietos, encerrados em seus túmulos sem epitáfios, pois desistiram de buscar a chave que abre essas algemas.

Como diz a música: “é uma dor que dói no peito”, apenas dói. Talvez seja somente a minha tendência ao drama, fruto das  sucessivas tentativas infrutíferas de assassinato do ego, ou os reflexos dos meus exageros misturados à conclusões precipitadamente errôneas.

Mas hoje eu estou triste assim e sinto tanta falta do mar.

Sinto falta de tudo.

PS: Oi! Como vão as coisas aí no Paraíso?

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