Dreamwalker - Untitled

Posted: terça-feira, 8 de fevereiro de 2011 by Bruno Ricardo in
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O que havia em sua totalidade encontra-se perdido em fragmentos pueris, memórias inconstantes, abstraidas na falsa irregularidade de seu movimento browniano, mas não menos parte de uma unidade confusa, pedaços de uma única grande verdade: um sonho que se desenrolou nas últimas horas da noite eterna, inglório, antes da derradeira aurora dos anjos.

Nesses poucos pedaços havia eu e o vazio de emoções. Havia um homem que em parte era eu, que era tudo, dado a minha onipresença. Fugia de criaturas ocultas dos olhos humanos, bestas que eu não reconhecia mas sentia sua presença, como que  tão próximas a minha sombra, a me perseguir por motivação desconhecida. Depois esse mesmo homem parou, de súbito, e plantou sementes de árvores em um campo verde, iluminado no centro, porém rodeado de escuridão. E alguem cuja face se escondia nas trevas lhe perguntava (ou perguntava a mim, que me confundia entre o palco e a platéia): "Hey, será que nascem árvores aí?".

E no desespero árvores brotavam inteiras do solo, em absoluta contradição que o estado de sonho permite realizar tais coisas em si mesmas. Eram fileiras de poucas árvores, mas acredito que eram o bastante para reprimir qualquer fera que naquela ocasião perseguia o homem agustiado. Foi-se que no meio das fileiras brotou uma ávore seca, vazia de tudo, contudo imponente, pois crescera de imediato até grandes alturas. E desta enorme ávore morta, fez-se troncos retorcidos como braços, alcançando pouca extensão, curvados em direções oblíquas, deu-lhe um aspecto de um rústico tridente.

Eu via agora como expectador, mas não tenho certeza da minha perspectiva. Ora, dalí a pouco, o tronco retorcido fora cortado e ferido, arrancado de sua metade que permanecera rigidamente fincada ao solo. Tal como ariete, fora conduzido a boca de uma criatura de horrivel aparência, aquela que parecia liderar as hostes perseguidoras de outrora, até a madeira transformar-se em um grande bolo que a grande esforço a criatura devorava, gritando em profunda agonia.

Todo o grupo agora partia em direção a um castelo preso a ponta de um penhasco. Enquanto iam, distinguia-se na visão do sonhador o branco de várias nuvens, enormes dominadoras dos céus e um azul lânguido da luz de uma manhã inédita.
 
Depois, nada mais consigo recordar.


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